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Mercado Imobiliário
Data: 14/10

 

 

Aluguel estica ganhos com carteira de ações e salta 1.500%
Hoje em Dia | caderno: Economia |

Comprar um imóvel para garantir uma renda mensal extra por meio do aluguel se tornou um investimento tradicional entre os brasileiros, que o consideram uma modalidade simples e segura para investir seus recursos. Mas essa mesma comodidade também pode ser encontrada em um mercado menos popular no país, com promessa de ganhos superiores: a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A operação em questão é o aluguel de ações, semelhante à locação de unidades habitacionais e, atualmente, uma das negociações que mais crescem na Bovespa, especialmente por possibilitar ganhos adicionais aos pequenos investidores, mas sem a preocupação com inquilinos, inadimplência e manutenção do bem.

Apenas entre 2001 e 2006, o volume de transações passou de R$ 6,6 bilhões para R$ 109,7 bilhões, um acréscimo de mais de 1.500%. Em 2007, o total negociado até 31 de agosto já ultrapassa em mais de R$ 54 mil o montante do ano anterior. A quantidade de operações também subiu: de 11.953 para 271.210, nos mesmos cinco anos. A alta é de 2.168%, conforme os dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), responsável pelo controle dessas transações. E são justamente os pequenos investidores que têm impulsionado esse mercado, com uma participação na oferta de títulos que passou de 20% para 31,5% no último ano.

A explicação para números tão expressivos, de acordo com o presidente da Associação dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, está no próprio desenvolvimento da Bolsa brasileira e também na simplicidade e rentabilidade da operação. ½O investidor que disponibiliza as ações para aluguel consegue auferir um lucro extra com elas, pois continua a ganhar com a valorização dos papéis e distribuição de proventos (bonificações, dividendos etc)”, explica.

As taxas para o aluguel, de acordo com analistas, têm ficado acima dos 10% do valor da carteira de ações ao ano, dependendo dos papéis que a compõem. ½Para quem investe na Bolsa pensando no longo prazo - na aposentadoria, por exemplo -, é um ótimo negócio”, destaca. A transação é simples, e qualquer um que possua uma carteira de longo prazo pode ofertar seus papéis no mercado, recebendo uma remuneração pelo aluguel, com risco zero, segundo o presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Gilberto Biojone.

O investidor (locador) disponibiliza seus títulos para satisfazer necessidades temporárias de um tomador do ½empréstimo”, o locatário, que paga a taxa de retorno definida para o período de vigência do aluguel - o mais comum são três meses -, acrescida do emolumento da CBLC. A partir daí, o ½inquilino” está autorizado a usar como quiser o papel alugado, porém as ações devem estar disponíveis em carteira, para devolução, no dia de encerramento do contrato.

O processo é intermediado pela CBLC, que exige do locatário garantias correspondentes a 100% do valor dos títulos alugados, mais um percentual que varia de 8% a 80%, de acordo com a liquidez do papel. ½Todos saem ganhando, pois esse sistema permite que o mercado tenha mais liquidez. Já o proprietário das ações cobra uma taxa pelo aluguel e não corre riscos por isso. Aqueles que alugam conseguem realizar as operações que desejam”, avalia Biojone, observando que os investidores institucionais são os principais interessados na locação, além de fundos long shorts e multimercados. A transação permite que eles desenvolvam estratégias para obter ganhos maiores na Bolsa -com riscos proporcionais, claro. ½Realizam operações mais sofisticadas no mercado à vista ou de futuro”, comenta.

Taxa de retorno pode superar 10%

A taxa de retorno do aluguel das ações, que pode ser superior aos 10% ao ano, são o principal atrativo desse negócio para os investidores que disponibilizam os papéis. A remuneração, de acordo com o diretor da Corretora Sita, Sérgio Valadares Portela, é proporcional ao volume das ações disponível no mercado, seguindo a lei da oferta e da procura, e à liquidez dos papéis negociados. ½Os títulos das companhias mais negociadas no mercado costumam ter o valor de empréstimo menor, ao passo que aquelas menos negociadas têm uma taxa de aluguel mais expressiva. Já quanto maior o valor da ação, maior será o total recebido”, argumenta.

Portela explica que o doador (proprietário da ação) estabelece a taxa de retorno e o prazo pelo qual está disposto a fornecer seus papéis, porém, assim como na locação de um imóvel, a remuneração deve ser fixada dentro da média do mercado. ½Tudo segue as leis de mercado, a oferta e a procura têm que ser avaliadas para que haja interessados no negócio. Mas há ação que não tem tomador”, garante. No site da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), no endereço www.cblc.com.br, é possível verificar todos os ativos disponíveis para locação e a taxa média negociada. Uma vez registrada a oferta, a operação é fechada quando surgir um interessado.

O analista lembra que o doador recebe de volta suas ações e o valor referente ao aluguel, descontado o Imposto de Renda (IR), que varia conforme as regras do mercado de renda fixa: de 15% (aplicações acima de 720 dias) a 22,5% (até 180). Do tomador (locatário) é cobrada a corretagem, em média 0,5% do valor negociado, mais 0,25% de taxa de registro na CBLC. O sócio-gestor da DLM Invista, Luiz Fernando Iani, acrescenta que o ponto negativo do negócio, para o locador, é que, durante a vigência do contrato de aluguel, ele não pode vender as ações de sua carteira. ½Quem aluga, não movimenta aquela posição até o fim do prazo. Se houver um período de turbulências ou se (o proprietário) quiser se desfazer dos papéis por qualquer outro motivo não poderá fazê-lo. As ações estarão nas mãos do ½inquilino”, alerta.

Corretoras criam setor de locação

Apesar do enorme crescimento nos últimos anos, a modalidade de aluguel de ações - que surgiu em 1996 com apenas 66 operações e um total de R$ 354,5 milhões negociados - tem ainda boas perspectivas pela frente. No ano passado, cresceu 86,1%, em valores, e 63,3%, em transações, e deverá manter esse ritmo nos próximos anos. Isso, claro, se a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) continuar com o desempenho semelhante aos dos últimos anos e batendo sucessivos recordes - recentemente ultrapassou os 63 mil pontos, mesmo após um período de quedas em função da crise do mercado imobiliário dos Estados Unidos. «O potencial de crescimento para a locação é enorme, porque o mercado está mais ativo, negociando em níveis muito bons, e essa transação no país ainda é incipiente», ressalta o presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Gilberto Biojone.

As perspectivas são tão boas que, para atender a ampliação desse nicho de aluguel de títulos, muitas corretoras já montaram departamentos específicos para essa negociação, comenta Biojone. É o caso da Socopa e Fator, além da Banif, que lançou um sistema para operadores domésticos, cita. O sócio-gestor da DLM Invista, Luiz Fernando Iani, completa que a expansão dos fundos long shorts e multimercados também serão motivadores do crescimento da locação. «Eles são os principais «inquilinos» e usam essas operações, em geral, para reduzir a volatilidade dos fundos», enfatiza.

Biojone acrescenta que estão previstos muitos lançamentos de empresas na Bolsa - são mais de 30 somente até o final de 2007 -, o que também estimula o mercado de capitais de uma maneira geral. «A demanda por ações continuará grande e, se o Brasil realmente for para a categoria de <FT02>investiment grade<FT01>, aí sim haverá um novo pulo do mercado», completa, lembrando que essa alteração irá atrair ainda mais o investidor estrangeiro, outro grande «doador» de ações para locação na Bovespa. «Eles estão em segundo lugar em oferta de papéis (participação de 29,4%), perdendo apenas para a pessoa física. A taxa de aluguel é maior do que os rendimentos da renda fixa no exterior», informa.

ALUGUEL DE AÇÕES
Mercado em plena expansão
AnoVolume de operações (R$ milhões)
1996354,5
1997415,8
1998854,8
19991.574,5
20002.865,7
20016.571,6
20027.558,9
200313.160,3
200425.884,0
200558,925,7
2006109.674,1
2007*163.727,9
QUANTIDADE DE OPERAÇÕES
AnoRegistrosMédia/mês
1996666
199734128
199898382
19991.460122
20002.530211
200111.953996
200222.4861.874
200339.7723.314
200478.7296.561
2005166.08813.841
2006271.21022.601
2007*360.70545.088
NÚMERO DE PARTICIPANTES
AnoTotal
199621
199726
199837
199933
200053
200167
200264
200377
200495
200593
200695
2007*98
NÚMERO DE AÇÕES OBJETO DE OPERAÇÕES
AnoTotal
199612
199722
199852
199957
200074
200179
200291
2003126
2004190
2005219
2006267
2007*331
* Até 31 de agosto
FORNECEDORES DE AÇÕES
TipoParticipação (%)
Pessoa física31,85
Investidores estrangeiros29,40
Fundos mútuos26,29
Sociedades (anônimas, civis, por quotas e outras)4,64
Fundos de previdência social2,60
Bancos comerciais1,02
Outros4,20
ENTENDA MAIS O NEGÓCIO
O QUE É
Trata-se de uma operação por meio da qual os investidores ofertam títulos para empréstimos, e os interessados os tomam emprestados, mediante aporte de garantias. O ½inquilino” estará com o ativo disponível em sua carteira durante o período de vigência do contrato. A CBLC atua como contraparte no processo e garante as operações
COMO FUNCIONA
Consiste na transferência de títulos da carteira do investidor para satisfazer necessidades temporárias de um tomador. O acesso ao serviço se dá por meio de um sistema eletrônico, e o ½inquilino” paga uma taxa ao ½locador”, acrescida do emolumento da CBLC. O tomador usa como quiser o papel alugado, porém ele deve estar disponível em carteira, para devolução, no dia de encerramento do contrato
QUAL É A RENTABILIDADE
As taxas são expressas em bases anuais, com capitalização composta por dias úteis. São livremente pactuadas entre as partes, de acordo com a oferta e demanda. Todos os proventos declarados pelo emissor do título pertencem ao proprietário original. O doador recebe a taxa do empréstimo deduzida do Imposto de Renda aplicável.
QUAIS SÃO AS GARANTIAS?
O tomador deve depositar margem de garantia na CBLC. O valor da margem é igual ao valor atualizado dos títulos, acrescido de um percentual fixado pela entidade, considerando-se a liquidez e a volatilidade dos títulos objeto do empréstimo. Esse número é acompanhado diariamente e recomposto, se necessário, na forma e nos prazos estabelecidos pela CBLC

QUAIS SÃO AS VANTAGENS
-O tomador pode utilizar as ações em operações como vendas à vista; liquidação de operações já realizadas no mercado à vista; garantia de operações em mercados de liquidação futura; cobertura no lançamento de opções de compra
-O doador faz circular papéis que, de outra forma, estariam imobilizados em sua carteira, auferindo uma remuneração extra, em princípio, não prevista no seu fluxo de caixa. O empréstimo é indicado para quem não tem interesse em vender as ações em curto prazo
O CONTRATO É REVERSÍVEL?
-Depende do que foi acordado. O tomador fica apto a finalizar a operação, a partir da data de reversão estipulada no contrato. Caso contrário, fica obrigado a manter a posição até o final do prazo
O QUE É A CBLC
A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia é a empresa responsável pela compensação, liquidação e controle de risco das operações realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nos mercados à vista e futuro, e pelo registro e controle das operações de empréstimo de títulos, por meio do Banco de Títulos (BTC)
Fonte: Bovespa/CBLC

 


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