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Aluguel estica ganhos com carteira de ações
e salta 1.500%
Hoje em Dia | caderno: Economia |
Comprar um imóvel para garantir
uma renda mensal extra por meio do aluguel se tornou
um investimento tradicional entre os brasileiros,
que o consideram uma modalidade simples e segura
para investir seus recursos. Mas essa mesma comodidade
também pode ser encontrada em um mercado
menos popular no país, com promessa de ganhos
superiores: a Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa). A operação em questão
é o aluguel de ações, semelhante
à locação de unidades habitacionais
e, atualmente, uma das negociações
que mais crescem na Bovespa, especialmente por possibilitar
ganhos adicionais aos pequenos investidores, mas
sem a preocupação com inquilinos,
inadimplência e manutenção do
bem.
Apenas entre 2001 e 2006, o volume de transações
passou de R$ 6,6 bilhões para R$ 109,7 bilhões,
um acréscimo de mais de 1.500%. Em 2007,
o total negociado até 31 de agosto já
ultrapassa em mais de R$ 54 mil o montante do ano
anterior. A quantidade de operações
também subiu: de 11.953 para 271.210, nos
mesmos cinco anos. A alta é de 2.168%, conforme
os dados da Companhia Brasileira de Liquidação
e Custódia (CBLC), responsável pelo
controle dessas transações. E são
justamente os pequenos investidores que têm
impulsionado esse mercado, com uma participação
na oferta de títulos que passou de 20% para
31,5% no último ano.
A explicação para números tão
expressivos, de acordo com o presidente da Associação
dos Profissionais de Investimento do Mercado de
Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), Paulo Ângelo
Carvalho de Souza, está no próprio
desenvolvimento da Bolsa brasileira e também
na simplicidade e rentabilidade da operação.
½O investidor que disponibiliza as ações
para aluguel consegue auferir um lucro extra com
elas, pois continua a ganhar com a valorização
dos papéis e distribuição de
proventos (bonificações, dividendos
etc)”, explica.
As taxas para o aluguel, de acordo com analistas,
têm ficado acima dos 10% do valor da carteira
de ações ao ano, dependendo dos papéis
que a compõem. ½Para quem investe
na Bolsa pensando no longo prazo - na aposentadoria,
por exemplo -, é um ótimo negócio”,
destaca. A transação é simples,
e qualquer um que possua uma carteira de longo prazo
pode ofertar seus papéis no mercado, recebendo
uma remuneração pelo aluguel, com
risco zero, segundo o presidente da Associação
Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio
e Mercadorias (Ancor), Gilberto Biojone.
O investidor (locador) disponibiliza seus títulos
para satisfazer necessidades temporárias
de um tomador do ½empréstimo”,
o locatário, que paga a taxa de retorno definida
para o período de vigência do aluguel
- o mais comum são três meses -, acrescida
do emolumento da CBLC. A partir daí, o ½inquilino”
está autorizado a usar como quiser o papel
alugado, porém as ações devem
estar disponíveis em carteira, para devolução,
no dia de encerramento do contrato.
O processo é intermediado pela CBLC, que
exige do locatário garantias correspondentes
a 100% do valor dos títulos alugados, mais
um percentual que varia de 8% a 80%, de acordo com
a liquidez do papel. ½Todos saem ganhando,
pois esse sistema permite que o mercado tenha mais
liquidez. Já o proprietário das ações
cobra uma taxa pelo aluguel e não corre riscos
por isso. Aqueles que alugam conseguem realizar
as operações que desejam”, avalia
Biojone, observando que os investidores institucionais
são os principais interessados na locação,
além de fundos long shorts e multimercados.
A transação permite que eles desenvolvam
estratégias para obter ganhos maiores na
Bolsa -com riscos proporcionais, claro. ½Realizam
operações mais sofisticadas no mercado
à vista ou de futuro”, comenta.
Taxa de retorno pode superar
10%
A taxa de retorno do aluguel das
ações, que pode ser superior aos 10%
ao ano, são o principal atrativo desse negócio
para os investidores que disponibilizam os papéis.
A remuneração, de acordo com o diretor
da Corretora Sita, Sérgio Valadares Portela,
é proporcional ao volume das ações
disponível no mercado, seguindo a lei da
oferta e da procura, e à liquidez dos papéis
negociados. ½Os títulos das companhias
mais negociadas no mercado costumam ter o valor
de empréstimo menor, ao passo que aquelas
menos negociadas têm uma taxa de aluguel mais
expressiva. Já quanto maior o valor da ação,
maior será o total recebido”, argumenta.
Portela explica que o doador (proprietário
da ação) estabelece a taxa de retorno
e o prazo pelo qual está disposto a fornecer
seus papéis, porém, assim como na
locação de um imóvel, a remuneração
deve ser fixada dentro da média do mercado.
½Tudo segue as leis de mercado, a oferta
e a procura têm que ser avaliadas para que
haja interessados no negócio. Mas há
ação que não tem tomador”,
garante. No site da Companhia Brasileira de Liquidação
e Custódia (CBLC), no endereço www.cblc.com.br,
é possível verificar todos os ativos
disponíveis para locação e
a taxa média negociada. Uma vez registrada
a oferta, a operação é fechada
quando surgir um interessado.
O analista lembra que o doador recebe de volta suas
ações e o valor referente ao aluguel,
descontado o Imposto de Renda (IR), que varia conforme
as regras do mercado de renda fixa: de 15% (aplicações
acima de 720 dias) a 22,5% (até 180). Do
tomador (locatário) é cobrada a corretagem,
em média 0,5% do valor negociado, mais 0,25%
de taxa de registro na CBLC. O sócio-gestor
da DLM Invista, Luiz Fernando Iani, acrescenta que
o ponto negativo do negócio, para o locador,
é que, durante a vigência do contrato
de aluguel, ele não pode vender as ações
de sua carteira. ½Quem aluga, não
movimenta aquela posição até
o fim do prazo. Se houver um período de turbulências
ou se (o proprietário) quiser se desfazer
dos papéis por qualquer outro motivo não
poderá fazê-lo. As ações
estarão nas mãos do ½inquilino”,
alerta.
Corretoras criam setor
de locação
Apesar do enorme crescimento nos
últimos anos, a modalidade de aluguel de
ações - que surgiu em 1996 com apenas
66 operações e um total de R$ 354,5
milhões negociados - tem ainda boas perspectivas
pela frente. No ano passado, cresceu 86,1%, em valores,
e 63,3%, em transações, e deverá
manter esse ritmo nos próximos anos. Isso,
claro, se a Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa) continuar com o desempenho semelhante
aos dos últimos anos e batendo sucessivos
recordes - recentemente ultrapassou os 63 mil pontos,
mesmo após um período de quedas em
função da crise do mercado imobiliário
dos Estados Unidos. «O potencial de crescimento
para a locação é enorme, porque
o mercado está mais ativo, negociando em
níveis muito bons, e essa transação
no país ainda é incipiente»,
ressalta o presidente da Associação
Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio
e Mercadorias (Ancor), Gilberto Biojone.
As perspectivas são tão boas que,
para atender a ampliação desse nicho
de aluguel de títulos, muitas corretoras
já montaram departamentos específicos
para essa negociação, comenta Biojone.
É o caso da Socopa e Fator, além da
Banif, que lançou um sistema para operadores
domésticos, cita. O sócio-gestor da
DLM Invista, Luiz Fernando Iani, completa que a
expansão dos fundos long shorts e multimercados
também serão motivadores do crescimento
da locação. «Eles são
os principais «inquilinos» e usam essas
operações, em geral, para reduzir
a volatilidade dos fundos», enfatiza.
Biojone acrescenta que estão previstos muitos
lançamentos de empresas na Bolsa - são
mais de 30 somente até o final de 2007 -,
o que também estimula o mercado de capitais
de uma maneira geral. «A demanda por ações
continuará grande e, se o Brasil realmente
for para a categoria de <FT02>investiment
grade<FT01>, aí sim haverá um
novo pulo do mercado», completa, lembrando
que essa alteração irá atrair
ainda mais o investidor estrangeiro, outro grande
«doador» de ações para
locação na Bovespa. «Eles estão
em segundo lugar em oferta de papéis (participação
de 29,4%), perdendo apenas para a pessoa física.
A taxa de aluguel é maior do que os rendimentos
da renda fixa no exterior», informa.
ALUGUEL DE AÇÕES
Mercado em plena expansão
AnoVolume de operações (R$ milhões)
1996354,5
1997415,8
1998854,8
19991.574,5
20002.865,7
20016.571,6
20027.558,9
200313.160,3
200425.884,0
200558,925,7
2006109.674,1
2007*163.727,9
QUANTIDADE DE OPERAÇÕES
AnoRegistrosMédia/mês
1996666
199734128
199898382
19991.460122
20002.530211
200111.953996
200222.4861.874
200339.7723.314
200478.7296.561
2005166.08813.841
2006271.21022.601
2007*360.70545.088
NÚMERO DE PARTICIPANTES
AnoTotal
199621
199726
199837
199933
200053
200167
200264
200377
200495
200593
200695
2007*98
NÚMERO DE AÇÕES OBJETO DE OPERAÇÕES
AnoTotal
199612
199722
199852
199957
200074
200179
200291
2003126
2004190
2005219
2006267
2007*331
* Até 31 de agosto
FORNECEDORES DE AÇÕES
TipoParticipação (%)
Pessoa física31,85
Investidores estrangeiros29,40
Fundos mútuos26,29
Sociedades (anônimas, civis, por quotas e
outras)4,64
Fundos de previdência social2,60
Bancos comerciais1,02
Outros4,20
ENTENDA MAIS O NEGÓCIO
O QUE É
Trata-se de uma operação por meio
da qual os investidores ofertam títulos para
empréstimos, e os interessados os tomam emprestados,
mediante aporte de garantias. O ½inquilino”
estará com o ativo disponível em sua
carteira durante o período de vigência
do contrato. A CBLC atua como contraparte no processo
e garante as operações
COMO FUNCIONA
Consiste na transferência de títulos
da carteira do investidor para satisfazer necessidades
temporárias de um tomador. O acesso ao serviço
se dá por meio de um sistema eletrônico,
e o ½inquilino” paga uma taxa ao ½locador”,
acrescida do emolumento da CBLC. O tomador usa como
quiser o papel alugado, porém ele deve estar
disponível em carteira, para devolução,
no dia de encerramento do contrato
QUAL É A RENTABILIDADE
As taxas são expressas em bases anuais, com
capitalização composta por dias úteis.
São livremente pactuadas entre as partes,
de acordo com a oferta e demanda. Todos os proventos
declarados pelo emissor do título pertencem
ao proprietário original. O doador recebe
a taxa do empréstimo deduzida do Imposto
de Renda aplicável.
QUAIS SÃO AS GARANTIAS?
O tomador deve depositar margem de garantia na CBLC.
O valor da margem é igual ao valor atualizado
dos títulos, acrescido de um percentual fixado
pela entidade, considerando-se a liquidez e a volatilidade
dos títulos objeto do empréstimo.
Esse número é acompanhado diariamente
e recomposto, se necessário, na forma e nos
prazos estabelecidos pela CBLC
QUAIS SÃO AS VANTAGENS
-O tomador pode utilizar as ações
em operações como vendas à
vista; liquidação de operações
já realizadas no mercado à vista;
garantia de operações em mercados
de liquidação futura; cobertura no
lançamento de opções de compra
-O doador faz circular papéis que, de outra
forma, estariam imobilizados em sua carteira, auferindo
uma remuneração extra, em princípio,
não prevista no seu fluxo de caixa. O empréstimo
é indicado para quem não tem interesse
em vender as ações em curto prazo
O CONTRATO É REVERSÍVEL?
-Depende do que foi acordado. O tomador fica apto
a finalizar a operação, a partir da
data de reversão estipulada no contrato.
Caso contrário, fica obrigado a manter a
posição até o final do prazo
O QUE É A CBLC
A Companhia Brasileira de Liquidação
e Custódia é a empresa responsável
pela compensação, liquidação
e controle de risco das operações
realizadas na Bolsa de Valores de São Paulo
(Bovespa), nos mercados à vista e futuro,
e pelo registro e controle das operações
de empréstimo de títulos, por meio
do Banco de Títulos (BTC)
Fonte: Bovespa/CBLC
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